“Imagens são uma tentativa inútil de tentar registrar no presente as memórias do passado. Registramos o hoje com os olhos de ontem. Lembranças difusas de momentos que não voltam e que de alguma forma tentamos perpetuar. Sombras, penumbras que se misturam em sentimentos e trazem para hoje aquilo que somos capazes de ver.
Não enxergamos com os olhos e sim com as lembranças que carregamos em nós, com aquilo que fomos ou até mesmo não fomos, mas que ficou gravado no “ser” de cada um. A imagem que registro não é a mesma que o outro vê pelo simples fato de que o outro não viveu o que vivi. Por algum motivo seguimos a vida fazendo e refazendo as mesmas coisas na esperança de que se tornem acabadas e se isso acontece tudo perde sentido já que aquilo que foi acabado não têm mais razão de ser e a não haveria razão em continuar. Tento apenas mostrar um pouco de mim naquilo que crio e ver um pouco de você naquilo que enxerga e dessa forma seguirmos juntos mesmo que apenas por um ínfimo instante. Obrigado a todos que tem gostado do meu trabalho como fotógrafo, joalheiro e designer e assim me permitido seguir fazendo e refazendo e dessa forma dando significado ao que crio.”

Outro dia compartilhei esse texto no meu perfil no Facebook. No caso falava mais especificamente do meu trabalho como fotógrafo, mas serve perfeitamente para meu trabalho como joalheiro e designer.

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Anel “Ondas” em ouro e turmalina por Fred Pinheiro

A parte mais importante em qualquer forma de expressão artística é o momento da criação. A técnica qualquer um que tenha um pouco de empenho pode aprender. Podemos saber como regular uma câmera fotográfica ou soldar uma peça de ouro ou prata e até mesmo podemos contratar alguém para fazer isso ainda que não seja o ideal e o trabalho perca parte da sua alma.


Na criação é que colocamos aquilo que somos e como enxergamos o mundo a nossa volta.

Uma das coisas que aprendi com o mestre Caio Mourão é que o cliente quer ver a mão do artista, artesão marcada na peça, isso dá a ela identidade, personalidade, são como as pinceladas de um pintor, únicas e insubstituíveis.
Na joalheria isso se torna fundamental pela enorme interação que se estabelece entre quem adquire a joia, que a usa e quem a criou.
Nas artes visuais de forma geral o cliente, observador, admirador e outros, interage quase somente pelo olhar em uma espécie de amor platônico.

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Colar em prata e labradoritas

Na joalheria contemporânea essa interação se dá de forma bem mais profunda com a joia passando a fazer parte de quem a usa e também o contrário.

Corpo e criação se fundem e interagem de forma contínua se tornando um só. Esse conceito se aplica ou ao menos deveria, também a roupa e todo tipo de adereço que usamos. Quem criou desejava passar uma ideia e o cliente se apropria disso para dar continuidade a esse movimento acrescentando o seu e dessa forma dando sentido ao meu trabalho. Essa busca move o criador que só se dá por satisfeito ao ver sua criação tomando vida própria através de outras pessoas.

Vejo a joalheria contemporânea como micro esculturas adaptáveis ao corpo e que devem interagir com ele.

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Fred Pinheiro executando uma joia no seu atelier

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