A joalheria está presente desde os primórdios da humanidade, mas é preciso considerar que o conceito de design, arte, joia mudou através dos tempos.  Para um homem de Neandertal, o seu colar de ossos e dentes — mostrando suas habilidades como caçador — talvez tivesse um valor muito próximo ao de uma joia. Outro exemplo é que houve um tempo em que o ferro era o metal mais precioso: poucos tinham acesso a ele ou sabiam manipulá-lo. Possuir um adorno feito desse metal agregava riqueza, poder e status.

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Trono de ouro maciço encontrado na tumba do faraó Tutankamon no Egito.

Através da joalheria podemos contar um pouco da nossa própria história. Ela nos dá exatamente essa ideia dos conceitos e valores de um povo — o que vestiam, com o que se importavam e o grau de tecnologia, o que possuíam ao manipular os materiais.

Com as joias, pedras e metais os sacerdotes louvavam os deuses, os nobres ostentavam seu poder, os povos financiavam suas guerras e também compravam a paz. Vestígios desses usos foram deixados pra nós como forma de nos contar uma história. Existem registros do uso do ouro pelo homem com aproximadamente 6000 anos. Na antiguidade, os artesãos e conhecedores das técnicas e dos segredos dos metais gozavam de grande prestígio e importância social.

No entanto, um coisa nunca mudou e permaneceu intacta e prevalecendo até a atualidade: a joia como objeto de desejo. Ela é símbolo de poder, está a serviço da beleza e da vaidade e é até vista como investimento e instrumento de preservação da riqueza.

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Brincos em prata e sodalita Fred Pinheiro

Pouco depois da segunda grande guerra, com o mundo em plena transformação, algumas mudanças de ordem social, cultural e também tecnológicas deram origem ao movimento de transformação da joalheria tradicional que deu origem ao que hoje chamamos de joalheria contemporânea.

Cada vez mais o design e criatividade assumiram uma importância maior do que a do material utilizado. E, assim, a joalheria passou a ser vista também como forma de expressão artística.

Na joalheria de autor o conceito é a criação e não a ostentação pura e simples. Os limites na ousadia são apenas do corpo.  Ao contrário da arte, a joia tem um objetivo bem definido que é o adorno do corpo — ficando assim como uma obra de arte funcional.

O próprio conceito da moda como forma de expressão artística tem mudado.  Não faz muito tempo tivemos uma polêmica sobre o assunto envolvendo a então ministra Marta Suplicy e o conceito de moda como forma de expressão cultural. Moda, arte, design se fundem dando à joalheria contemporânea uma nova dimensão. E a até a autoria pode ser conjunta. Com a cocriação, existe a possibilidade de interferência e parceria do cliente na criação e execução de uma joia.

Estamos em um novo mundo, com possibilidades e conceitos que dão tanto ao joalheiro/designer quanto ao cliente um leque infinito de opções. 

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