Fui procurado por uma designer de joias que está começando sua carreira e que me conheceu através deste blog. Ela trazia questões sobre a joalheria contemporânea no Brasil e achou que eu poderia dar informações que ela precisava.

Ao contrário do que pensa a maioria, a joalheria moderna no Brasil não é tão moderna quanto tentamos acreditar.

Temos bons designers, artesãos, ourives, metais, pedras preciosas, mas ainda perdemos em ousadia e em mercado. Perdemos porque não encaramos a joalheria de autor de fato como uma legítima forma de expressão criativa.

Presos a uma necessidade de sobrevivência nos vemos tolhidos por um mercado que ainda acredita em grande parte que uma joia é uma pedra grande — cercada de um monte de outras pequenininhas. Que apenas ouro e pedras preciosas são considerados materiais dignos da joalheria. Pecamos por hesitar em usar novos materiais, misturas e metais para encontrar um resultado realmente inovador.

Pecamos por praticar um design excessivamente comportado e por não experimentar. Na minha antiga loja de joalheria contemporânea em Búzios, muitas vezes fui questionado sobre isso por clientes estrangeiros, principalmente europeus.

Gargantilha em ouro e turmalina por Fred Pinheiro

O mais inusitado é que, ao invés de um avanço, tivemos um retrocesso na qualidade e na ousadia no design de joias de autor se comparado aos trabalhos de mestres e percursores desse tipo de joia no Brasil como Caio Mourão, Salvador Francisco, Márcio Mattar, Boby Estepanenko apenas para citar alguns. Tanto nós joalheiros como também clientes e pessoas ligadas a moda deveríamos pensar nisso. Existe um mercado enorme a ser explorado por todos e não existe razão para continuarmos presos aos mesmos conceitos, ideias e costumes do passado.

Na realidade há sempre o medo de ousar e ser diferente. Temos medo destoar. Por isso, o objeto de desejo continua sendo o brinco usado pela atriz da novela.

O mundo, a moda, os costumes, a tecnologia, tudo isso evoluiu, mas ao passar em frente a vitrine de alguma joalheria nos sentimos no século passado. As joias são as mesmas compradas por nossas mães, avós…

Talvez soe de forma estranha fazer esse tipo de reflexão em site/blog que pretende vender exatamente joias de autor, contemporâneas. Mas é importante a reflexão sobre o mercado e sobre o nosso trabalho.

Autocrítica é fundamental se desejamos nos superar e crescer.

 

Um comentário em “Os caminhos da joalheria contemporânea

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