Caio Mourão
Retrato Caio Mourão (SP 1933 – RJ 2005)

Impossível falar da joalheria contemporânea no Brasil sem falar de Caio Mourão. Caio é referência em joalheria de autor: conhecido e reconhecido de diversas formas e chamado por muitos de o mestre dos mestres.

Sem dúvida, uma das pessoas mais geniais e intrigantes que conheci. Convivi com Caio desde o início da minha adolescência e isso seguiu por anos. Pessoa de extremos — como só aqueles com a sensibilidade à flor da pele conseguem ser. Com habilidade de transformar isso em pura arte através das tintas, metais e, sobretudo, através da capacidade de mudar tudo ao seu redor.

Tive a sorte de ser seu amigo, aprendiz, professor na escola de joalheria Atelier Livre Caio Mourão, como era denominada na época. E também sócio dele na Galeria de Artes Plural e em uma fundição em seu atelier, em Ipanema, no Rio de Janeiro.

Tudo o que sei ou penso saber sobre a joalheria devo ao tempo passado em seu atelier entre alicates, laminadoras e maçaricos. Fui tentando aprender e, principalmente, apreender um pouco do que era Caio Mourão. Acho que a lição mais importante que aprendi com o mestre foi que nenhuma técnica especial de trabalho ou muito menos a habilidade de manusear alguma ferramenta dá conta da magia que envolve o metal e o ato de transformá-lo. E de transpor emoção para o que se cria, seja o que for aquilo que se sente, observa…

Vernissage na Galeria Plural em Ipanema
Vernissage na Galeria Plural, em Ipanema, no Rio de Janeiro com Paula Mourão, Fred Pinheiro, Sonia Sant”Anna e Caio Mourão.

Uma vez Caio me disse: Fred, o artista é como uma pirâmide de cabeça para baixo, você capta tudo ao seu redor e concentra em um único ponto que é seu trabalho. Se conseguir fazer, aí sim talvez você seja um artista”.

Caio Mourão influenciou na minha forma de trabalhar. Com ele aprendi que, na realidade, não criamos ou controlamos nada: “somos apenas instrumentos onde tudo se materializa como se fôssemos ferramentas a serviço de algo acima de nós”.

Caio Mourão detestava ser chamado de designer. Fazia questão de se autodenominar artesão joalheiro. Ele brincava que, se você desse um tiro para o alto, cairiam três designers no seu colo. “A proliferação de designers não tem limites”.

Brincos Caio Mourâo
Brincos em prata criados por Caio Mourão

Com prêmios nacionais e internacionais, Caio Mourão foi reconhecido como o pai da joalheria de autor no Brasil.

Iniciador e mestre de joalheiros hoje renomados, era uma figura instigante: difícil de se lidar e mais difícil ainda de se afastar. Poderia escrever um livro sobre os diversos Caios com quem convivi, aprendi, trabalhei e tudo mais, mas não é essa a proposta aqui, como tão pouco é a proposta de enumerar os feitos e carreira de Caio Mourão já que dezenas de sites, livros e reportagens já fizeram isso antes e muito melhor que eu faria.

Esse é acima de tudo um texto de agradecimento, admiração e respeito pela pessoa que me permitiu ser o que sou hoje dividindo comigo o que ele era.  Dessa forma, trago em mim o sempre mestre, amigo e em alguns momentos até o pai Caio Mourão. Sim, eu estou emocionado.

Colar “Anti-Joia” criado e executado por Caio Mourão

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s