A despeito de teorias e conceitos estabelecidos vou tentar expor como como vejo meu trabalho e como me enquadro na joalheria de autor.

 

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Anel “Flor” em ouro e topázio azul por Fred Pinheiro

Anel “Flor” em ouro e topázio azul por Fred Pinheiro

Por muitos anos, durante minha adolescência, eu me preparei para de alguma forma ser artista plástico. Cursos de desenho, pintura e escultura. Nunca pensei em joalheria. Ainda mais como forma de expressão artística. Através de um amigo, cujo o pai era artesão joalheiro, conheci Caio Mourão que profetizou: “um dia você virá trabalhar comigo e te ensinarei a fazer joias”. Dito e feito. Poucos anos mais tarde foi o que aconteceu. Ele viria a ser meu mestre e me apresentou a arte da joalheria artesanal.

Tento transpor para a joia o que pensava fazer como artista plástico. Vejo as joias como pequenas esculturas que se adaptam ao corpo de quem as usa.  Para mim, a joia tem forma, volume e expressão e serve a um propósito.

Não importa o estilo, material utilizado. Acredito que todos os recursos são válidos para que se chegue a um bom resultado estético. A joia contemporânea é antes de tudo uma joia pela criatividade, pelo trabalho e pelo desenvolvimento e não só pelo material escolhido. Ela vale pelo que ela é e não por ser de ouro ou de prata. Claro que o material utilizado tem seu preço. Um grama de ouro tem seu valor de mercado, em qualquer parte do mundo.

Tento entregar aos meus clientes mais que metal ou pedra. Ouro, topázio, citrino, prata e água marinha são apenas materiais a serviço da minha criação em comunhão com o desejo do cliente. Essa comunhão é fundamental – claro que é trabalhosa, mas gosto que seja assim.

Prefiro oferecer às pessoas a possibilidade de participarem. Para que interfiram na criação das suas peças e transformem isso em uma experiência única.

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Anel em ouro branco fosco e ouro amarelo com turmalina por Fred Pinheiro

 

Obviamente, procuro fazer isso sem abrir mão do meu estilo, daquilo que acredito ser meu trabalho e de como devo e posso fazê-lo. Caso abrisse mão, perderia o sentido que trouxe o cliente até mim: a identificação com o que faço, desapareceria.

O mundo evoluiu, a moda evoluiu, a arte, decoração, tecnologia e tudo mais, não existe razão para a joia ficar parada no tempo com as pessoas usando as mesmas joias que eram usadas por suas avós e tampouco a joia é algo apenas feminino. Nada contra as joias das avós, algumas são realmente belíssimas e refletem seu tempo e sua época e devem ser usadas e valorizadas, só não vejo por que não evoluir, mudar.

Acredito que as joias devem refletir nosso tempo, nossa cultura e nossa época. E isso implica em mudar, em evoluir.

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Brinco em ouro amarelo jateado com brilhantes por Fred Pinheiro

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