Joia de autor, joia artesanal ou joia contemporânea? Não existe um consenso em relação a denominação de uma joia. Antes, os artesãos joalheiros gostavam de se sentir mais artistas, hoje os designers criam peças, mas nem sempre se ocupam da realização da joia artesanal, terceirizando a produção.

No entanto, a joia como arte começou a se tornar visível como criação artística na segunda metade dos anos 50 com a primeira grande exposição em 1961 no Goldsmiths’ Hall de Londres. Com essa mostra, ganhou impulso e notoriedade. E, assim, surgiram diversas galerias especializadas na joia de autor, assim como os museus abriram suas portas para este segmento de mercado.

Diversos artistas, arquitetos e uma infinidade de pessoas ligadas às formas e/ou  estética em algum momento se dedicaram a fazer e/ou desenhar as peças como Alexander Calder, Salvador Dali, Burle Marx, Oscar Niemeyer entre outros.

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Joias em ouro e gemas variadas criadas por Burle Marx

No Brasil, em 1963, o artista plástico Caio Mourão ganhou o 1º Prêmio Internacional de Joalheria na VII Bienal de São Paulo. Caio Mourão, que se autodenominava artesão joalheiro – com quem aprendi o ofício — viria a se transformar no maior percursor desse tipo de joia no Brasil ganhando imensa notoriedade: nos idos de 1970 possuir uma joia feita por ele era símbolo de status e destacado nível cultural.

Em seguida, surgiram nomes como o de Salvador Francisco, Reny Golcman, Márcio Mattar, Bobby Stepanenko, entre outros. Quem acabou alcançando destaque do grande público através das suas lojas foi Antônio Bernardo. Ele que uniu técnicas de produção em massa e marketing das joalherias tradicionais ao seu trabalho com joias contemporâneas.

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Olho em ouro branco, brilhantes, rubi e esmalte criado por Salvador Dali

Como joalheiro tive a oportunidade participar de algumas exposições. Entre elas, na primeira Mostra Darcy Penteado de Arte realizada no Museu Brasileiro de Escultura – MUBE, em São Paulo. Também participei da Mostra dos Mestres promovida pelo Atelier Mourão em suas instalações, no Rio de Janeiro.

Em New York, nos Estados Unidos, peças minhas foram vendidas no primeiro leilão de joias assinadas promovido pela leiloeira Teresa Bram. O evento internacional “Natal Contra a AIDS” foi realizado no Tavern on the Green, no Central Park. A promoter carioca Ana Maria Tornaghi foi a responsável pela ida dos joalheiros do Brasil e todos doaram a renda obtida com a venda de suas peças para ajudar a pesquisa do tratamento da AIDS.

Atualmente, há muito mais espaço para a exibição e circulação de joias de autor. Os  joalheiros e/ou designers mostram as suas criações em salões, eventos e feiras nacionais e internacionais. Desta forma, ainda que fora da galeria de arte, ampliam seu mercado sensibilizando o olhar das pessoas para a joia contemporânea.

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Pendente criado pelo artista plástico Alexander Calder

 

Um comentário em “Joalheria contemporânea é arte?

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